A AI não retirou valor da consultoria. Retirou camuflagem. Escrevi no Brazil Journal sobre o que sobrou da consultoria depois da AI — e por que isso talvez tenha sido uma boa notícia, mesmo que dolorosa para parte do setor. Para quem contrata consultoria: o que você passou a pedir aos consultores depois que a AI entrou no jogo? E o que parou de pedir?
Categoria: Inteligência Artificial
Uma mulher caminha por Hangzhou de óculos inteligentes. Diz em voz baixa “peça o de sempre”. Quando chega à cafeteria, o café já está pronto, pago, com o nome dela no copo. Sem maquininha, sem app, sem cartão.
Releia a cena e note o que falta: em nenhum momento ela precisou saber qual IA estava por trás do agente. Podia ser qualquer uma. Quem governou a transação não foi o modelo de IA. Foi a carteira.
Esse detalhe, que passou despercebido na maioria das análises do lançamento do AI Wallet da Alipay, muda a resposta para uma pergunta central: no comércio agêntico, quem é dono do cliente?
Escrevi para o Let’s Money sobre o que isso revela — e sobre por que o Brasil pode estar construindo um caminho diferente, público, sobre o Pix e o Open Finance
Este é o último artigo da série de três que publico aqui na Neofeed sobre comércio agêntico. O primeiro descreveu como uma transação agêntica acontece de ponta a ponta, com a engenharia dos dois tokens. O segundo tratou do Know Your Agent, ou KYA, categoria emergente que define como um agente é identificado e verificado para operar na rede. Este encerra a série com a dimensão que ficou pendente, e que talvez seja a mais importante para quem precisa tomar decisão estratégica nos próximos dois anos: quem captura o valor no novo modelo.
Comércio agêntico ganhou tração rápida no debate brasileiro nas últimas semanas. Lendo o material publicado, percebi que faltava um ângulo. Os textos descrevem bem o ecossistema e os papéis, mas raramente acompanham uma transação acontecendo do início ao fim. E é justamente quando se segue a transação que o papel de cada player se ilumina.
Decidi escrever sobre isso. Acabou virando uma série de três artigos para a NeoFeed.
O primeiro descreve a transação ponta a ponta, com atenção a como cada player aparece quando o fluxo é acompanhado em detalhe. O segundo, no próximo capítulo, trata do Know Your Agent. O terceiro, da disputa silenciosa entre as camadas pelo dono do cliente.
Esse artigo nasceu de uma conversa com a Renata Camera Santos, minha filha.
Conversávamos sobre wallets. Eu disse, de cara, que não via mais futuro para a palavra — que talvez fosse hora de encontrar outro nome para a carteira digital.
Mas a conversa ficou na minha cabeça. Quanto mais eu pensava, mais percebia que estava errado pela metade. A palavra wallet sobrevive. O que muda é tudo o que ela descreve.
A wallet deixa de ser um app que se abre e vira uma camada que age. Deixa de ser repositório passivo e vira agente ativo. Deixa de competir por share of wallet, no sentido literal, e passa a competir por share of decision.
O Visa B2AI Report trouxe um dado que resume bem o momento: 53% dos executivos americanos já permitiriam que agentes de IA negociassem preços em seu nome. Entre os consumidores, apenas 38% deixariam um agente finalizar uma compra de forma autônoma.
As empresas já decidiram. Os consumidores, ainda não.
E a confiança — que vai determinar o ritmo de tudo isso — não é genérica. Ela tem endereço.
Analisei esses dados no NeoFeed, com uma ressalva sobre o que significam — ou não — para o Brasil.
Quando o seu agente fizer uma compra por você, você vai querer saber como ele decidiu?



