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PicPay e Rappi unem forças e esquentam disputa no delivery brasileiro

Matéria de Clara Assunção, publicada em 17/12/25 na Exame

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Fim dos números no cartão — ou do próprio cartão?

A Mastercard anunciou que “tudo será tokenizado”, substituindo os 16 dígitos por identidades digitais seguras. Mas, por trás da mudança, o que está desaparecendo é o plástico como meio de pagamento.

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Mastercard anuncia o fim dos números nos cartões

Mastercard anuncia o fim dos números no cartão — e talvez do cartão em si.

O anúncio da Mastercard vai muito além de tirar os 16 dígitos do plástico: representa o início do fim do próprio cartão físico como protagonista.
No novo modelo, tudo será tokenizado. Cada pagamento — seja em loja física ou online — será feito com identidades digitais seguras, armazenadas em carteiras como Apple Pay, Google Pay ou no app do banco.
A autenticação será biométrica e o número real do cartão nunca circulará. O plástico passa a ser opcional ou apenas um backup, substituído por tokens únicos e invisíveis ao usuário.
No Brasil, essa mudança faz todo sentido: temos Pix, smartphones e consumidores digitais.
O futuro dos pagamentos será sem dígitos — e, aos poucos, também sem cartão.

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O futuro inteligente dos pagamentos

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Com cartões ‘black’, cooperativas acirram busca por clientes

Matéria de Larissa Maia, publicada em 12/09.25, no Valor Invest, sob o título “Com cartões ‘black’, cooperativas acirram busca por clientes; Vale ter?

 

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Notícia com Lupa – O Pix estimula o cartão de débito?

Na semana passada, fui surpreendido por uma matéria cujo título chamava atenção: Uso do Pix estimulou aceitação de cartão de débito, mostra estudo. Intrigado — e de certa forma incomodado — com a conclusão, decidi ir à fonte. Afinal, será que o Pix realmente estimulou o uso do cartão de débito? Resolvi investigar.

Fui procurar o estudo original e finalmente tive acesso ao documento publicado em setembro de 2024 no site do Banco Central do Brasil, com o título Payment Technology Complementarities and their Consequences in the Banking Sector: evidence from Brazil’s Pix.

O trabalho é assinado por José Renato Haas Ornelas, economista do Banco Central do Brasil e professor da FGV, em parceria com Matheus C. Sampaio, pesquisador da Kellogg School of Management da Northwestern University, nos Estados Unidos. Trata-se de um estudo robusto, com metodologia sofisticada e que traz contribuições relevantes para o entendimento do Pix e seus efeitos. Ainda assim, algumas das conclusões divulgadas na imprensa precisam ser vistas com cautela.

O Pix é, sem dúvida, uma das maiores inovações do sistema financeiro brasileiro de todos os tempos. Em apenas 4 anos, transformou a forma como pessoas e empresas movimentam dinheiro, reduziu drasticamente o uso de papel-moeda e se consolidou como o meio de pagamento mais popular do país.

O estudo em questão conclui que o Pix é complementar, e não substituto, de outros meios de pagamento; que teria impulsionado a aceitação do cartão de débito; que estaria associado a maior bancarização e acesso ao crédito; e que até funcionaria como mecanismo de seguro informal em momentos de crise, como enchentes. São achados relevantes, mas que merecem análise cuidadosa, sobretudo quando olhamos para o contexto histórico e social em que o Pix foi lançado.

Três pontos merecem atenção::

  1. O contexto ignorado: a pandemia da Covid-19
    O Pix foi lançado em novembro de 2020, em plena pandemia da Covid-19. Esse detalhe é decisivo. A crise sanitária transformou radicalmente os hábitos de consumo e pagamento no Brasil.

Com lojas físicas fechadas, milhões de brasileiros passaram a comprar pela internet. Até então, o comércio eletrônico aceitava basicamente cartão de crédito e boleto. O cartão de débito não fazia parte dessa realidade. Foi nesse ambiente que o e-commerce explodiu, que empresas se digitalizaram às pressas e que programas de auxílio emergencial abriram milhões de contas digitais.

Ignorar esse choque histórico enfraquece a hipótese central do estudo — a de que, “se nada tivesse mudado além do Pix, os efeitos observados poderiam ser atribuídos a ele.” Na prática, muita coisa mudou. A pandemia, por si só, já explicaria boa parte da aceleração da digitalização financeira.

  1. A aceitação do cartão de débito: um resultado frágil
    O estudo também aponta que um aumento no número de usuários do Pix teria levado a maior aceitação de cartões de débito. Mas a base de dados utilizada não permite sustentar essa conclusão com segurança.

Em vez de transações individuais, os autores tiveram acesso apenas a dados agregados da CIP. Assim, a métrica construída foi binária: se uma empresa realizou ao menos uma venda com cartão, ela passou a ser classificada como “aceitou cartão”. Essa medida não comprova que os consumidores passaram a usar mais o débito, apenas indica que mais empresas registraram alguma transação.

Esse movimento pode ter várias explicações alternativas: maior concorrência entre adquirentes, redução das taxas cobradas, campanhas das bandeiras. Além disso, se o efeito fosse realmente consistente, deveria aparecer também no crédito — mas não houve resultado significativo nesse caso.

  1. A inclusão financeira: o impacto mais evidente
    Se há um ponto em que não resta dúvida, é na contribuição do Pix para a redução do uso de dinheiro vivo e para a inclusão de milhões de brasileiros no sistema financeiro. Segundo o próprio Banco Central, até dezembro de 2022, o Pix havia sido responsável por incluir financeiramente 71,5 milhões de pessoas, ou seja um terço da população adulta do país.

Essa transformação se explica por um detalhe simples, mas decisivo: antes do Pix, colocar dinheiro em uma conta digital era burocrático. Era necessário imprimir um boleto e pagá-lo em agência ou correspondente. O Pix eliminou essa barreira, permitindo transferências instantâneas entre qualquer conta, de qualquer instituição.

Esse avanço mudou a vida prática do brasileiro que recebia seu salário ou renda em espécie e pagava tudo em papel-moeda. A partir do Pix, ele pôde receber em uma conta digital e usar esse dinheiro para pagar suas despesas por meio do próprio Pix ou de um cartão pré-pago vinculado. Essa é a verdadeira revolução: o Pix nivelou o acesso às contas digitais, tornando-as plenamente funcionais e acelerando a inclusão financeira.

Concluindo, é importante frisar que minhas críticas não diminuem o mérito do estudo de Ornelas e Sampaio. Pelo contrário, reforçam a relevância de trabalhos acadêmicos que se debruçam sobre temas tão transformadores. A ciência cumpre um papel essencial ao organizar dados, testar hipóteses e oferecer interpretações que ajudam a sociedade a compreender fenômenos complexos. O mérito do estudo é justamente trazer novas hipóteses para debate, estimulando análises que complementem a compreensão sobre o impacto do Pix.

Minha leitura é que, em alguns pontos, o estudo atribui ao Pix efeitos que também derivam de outros fatores — em especial da pandemia. Mas não há dúvida de que o Pix foi o motor principal de uma transformação estrutural: reduziu a dependência do dinheiro em espécie, tornou as contas digitais realmente acessíveis e incluiu dezenas de milhões de brasileiros no sistema financeiro nacional.

Essa é a contribuição que permanece e que deve inspirar não apenas pesquisadores, mas também formuladores de políticas públicas em outros países que buscam, como nós, um sistema de pagamentos mais inclusivo, eficiente e universal.