
Belo texto de Gustavo H. B. Franco, publicado no Estado de São Paulo no dia 26/06/2016, sob o titulo “O fim do dinheiro“. vale a pena ler.

Belo texto de Gustavo H. B. Franco, publicado no Estado de São Paulo no dia 26/06/2016, sob o titulo “O fim do dinheiro“. vale a pena ler.

Um show de tecnologia que, além de inovar a forma como se faz pagamentos, impulsiona a inclusão financeira e uma sociedade “cashless”.
O Banco Central da Índia, o Reserve Bank of India (RBI) lança um dos mais sofisticados sistemas de pagamentos do mundo, o “Unified Payments Interface – UTI”.
UPI traz uma mudança significativa na forma como as transações bancárias móveis serão realizados na Índia, permitindo aos usuários fazer pagamentos usando telefones celulares como o dispositivo principal, sem a necessidade de baixar um aplicativo para enviar ou receber dinheiro.
Assim, não é necessário que os usuários tenham uma carteira digital. Entretanto, se preferirem usá-las, serão capazes de utilizar diversas carteira eletrônicas, já que se tornarão interoperáveis com UPI.
Outra novidade, não haverá necessidade de divulgar a identidade ao fazer pagamentos. O cliente simplesmente informa um endereço virtual para o comerciante, que irá, em seguida, solicitar o pagamento. O usuário receberá uma mensagem no telefone celular pedindo sua autenticação. Uma vez que a senha é digitada, o pagamento se completa em tempo real.
É importante ressaltar que este processo não requer a divulgação dos dados bancários. Finalmente, UPI possibilita uma “Two-factor authentication” em um clique.


O CADE publicou a Nota Técnica No. 7/2016/CGAA2/SGA1/SG/CADE, em que sugere a instauração de três Inquérito Administrativos para averiguar indícios de que as novas credenciadoras de cartão de pagamento, que iniciaram suas atividades desde a abertura do mercado, estariam enfrentando dificuldades impostas pelo incumbentes para o seu desenvolvimento. A Nota trata de Procedimento Preparatório instaurado pelo CADE em 6 de Janeiro de 2015.
Publicamos neste blog, em setembro de 2014, um White Paper sob o título: O LENTO PROGRESSO DA COMPETITIVIDADE NA INDÚSTRIA DE MEIOS DE PAGAMENTO. Nele apontamos dois dos três problemas concorrenciais investigados pelo CADE.
Reproduzimos abaixo trechos da Nota Técnica:
…
Considerando, ainda, que cada uma das supostas práticas descritas possuem objeto distinto, sugere-se que cada uma delas dê origem a uma investigação distinta, para melhor análise dos casos. Assim, o presente Procedimento Preparatório deverá dar origem a três Inquéritos Administrativos distintos, a saber:
III. CONCLUSÃO

Vamos diferenciar “moeda digital” das diversas formas de movimentação de dinheiro, seja através de uma carteira digital ou qualquer método eletrônico de pagamento. Hoje fazemos a quase totalidade de nossos pagamentos utilizando um instrumento eletrônico, entretanto, o dinheiro (papel moeda) está normalmente depositado em um banco e representa parte do nosso patrimônio.
O papel-moeda, como moeda fiduciária, parece ter cumprido o seu propósito na evolução da humanidade. Moeda digital, como por exemplo BitCoin, deve substituir integralmente o papel-moeda com inúmeras vantagens já conhecidas. Entretanto, não me parece ser a principal motivação dos Bancos Centrais de diversos países.
O que esta em jogo é o controle dos governos sobre o sistema monetário. Moedas eletrônicas, baseadas na tecnologia “blockchain”, como Bitcoin, o controle é descentralizado. Ou seja, sem um controle central, não há como emitir moeda, por exemplo.
Em matéria publicada no The Wall Street Journal de 14/12/15, Ryan Tracy escreveu: O Banco de Compensações Internacionais, que tem 60 bancos centrais entre seus membros, informou recentemente que as moedas digitais existentes, como a bitcoin, podem reduzir o controle das autoridades sobre o sistema monetário — e “uma opção seria o uso da própria tecnologia para emitir moedas digitais”.
As últimas notícias sobre juros negativos em alguns países trás uma discussão interessante: Por que manter o depósito no banco e ver seu valor reduzindo com o tempo quando se pode guardar papel moeda? Assim, a moeda digital também pode ser uma boa resposta para a politica monetária. Veja a matéria da BloombergView de 31/01/2016: Bring On the Cashless Future. O Editorial trás inclusive um link para um trabalho do Fundo Monetário Internacional, sobre o uso da moeda digital na politica de “juros zero”.
Após mudanças no objeto do contrato o CADE arquivou a análise que fez no acordo entre Itaú Unibanco e MasterCard. Noticiamos essa aliança em 18 de março de 2015, sob o título: Renascimento da bandeira Credicard?
Veja matéria de Istoé Dinheiro.
“As mudanças no acordo tendem a atenuar a preocupação concorrencial trazida pelo acordo. Ainda assim, o tema competição segue um dos pontos mais sensíveis do mercado de cartões atualmente”, informou o reporter Felipe Marques, no jornal Valor Econômico de hoje.